Ainda que tenha nascido oral, a poesia hoje
se apresenta impressa ou digital por excelência,
e dessa forma se aventura e propõe elucubrações
estéticas, míticas ou metafísicas que melhor são
absorvidas se captadas pelo olho.

Quando verbalizada, porém, a palavra adquire certos
contornos e intermediações que podem, eventualmente,
gerar acréscimos e sentidos próprios, sentidos esses
que o ouvinte lhe empresta mediante a “tensão” emocional
em que se encontra.

O poeta procura desenhos dentro da palavra.
Estabelece encontros sonoros, tateia sensibilidades
e calcula distâncias. Em seus lampejos, mais propõe
esquecimentos do que visões.

Que nos decifre ou nos devore, a palavra é não dar
com a língua nos dentes. Pois a palavra morde quando
se inscreve na carne. A palavra nunca se apresenta
sob disfarces, mas é próprio dela o mistério.

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